Como o equilíbrio entre dois fatores pode determinar o tamanho da passagem de Ney da Matta no Remo

Foto: Pei Fon / Portal TNH1

Por Caíque Silva
@remotatico


Sempre que um técnico é contratado, enormes são as expectativas geradas, sejam elas boas ou ruins. No Remo, que caracteriza-se por ser um clube em constante ebulição, tudo ganha um tamanho maior do que o real. Com o clube no processo de montagem do planejamento, o cargo de treinador tem de ser ocupado por alguém que entenda de futebol e, ao mesmo tempo, de pessoas. É este cenário que Ney da Matta encontrará para trabalhar, onde lidará com questões de variadas raízes e com nuances que muitas vezes fogem ao controle do que se prega como “fazer futebol corretamente”.

Como as incertezas pairam sobre a diretoria de futebol, algo até certo ponto natural na cabeça do torcedor por ser início de trabalho, o mais ideal, sabendo do contexto que o Remo cria para si próprio, seria estabelecer uma metodologia de trabalho baseada na divisão igualitária entre questões futebolísticas e questões humanas. 50%-50%. Sabendo equilibrar estes dois fatores, mesmo entendendo que o futebol não permite seguir todo o planejamento à risca, Ney da Matta minimizaria a intervenção do acaso e faria menos radicalismos na execução dos planos, nos treinamentos e nas questões extracampo.

E por que estes dois fatores? 

Logicamente, a questão financeira possui grande peso no planejamento, incidindo diretamente no campo de jogo. Cada passo mal dado – não importando sua origem - nesta conjuntura reflete problemas que muitas vezes o treinador precisa lidar diariamente, pois o elenco inteiro é afetado. Com mais ou menos 30 jogadores, todos com mentalidades diferentes, é fundamental buscar conhecer de maneira profunda como seus atletas pensam, como enfrentam as dificuldades e como lidam com os problemas gerados pelo clube e pessoais.

A partir do momento em que tal liberdade existe, o jogador se sente pronto para expor sua opinião e suas ideias acerca das dificuldades. Cria-se então a simbiose entre elenco e treinador, que permite a união tão difundida como “ingrediente” de um grupo vencedor (outra expressão bastante utilizada pela nova diretoria). É necessário que Ney da Matta encontre o timing e a maneira de intervir com cada atleta, gerando a abordagem uniforme na hora de encarar qualquer obstáculo durante a temporada. 

O outro fator é óbvio. A questão futebolística passará muito pela metodologia a ser utilizada nos treinamentos. E é justamente o fator que será mais avaliado pela torcida. Diante disso, a tarefa começa desde a montagem do elenco e termina na pré-temporada. Pré-temporada? Sim, é nesta fase em que as ideias são (ou deveriam ser) colocadas ao elenco e onde os treinos são mais importantes, já que a assimilação tem de ser imediata pelo calendário apertado. A temporada de competição é mais sobre planos estratégicos e de acordo com o adversário que será enfrentado, com os exercícios sendo focados mais na lembrança do que foi feito no início do que na educação a um comportamento necessário (novamente pela falta de tempo).

Obviamente, o futebol será movido por resultados. Mas se pensarmos unicamente neles, todo o processo será esquecido, e o trabalho de um técnico está mais no “como” do que no “quanto”. E entendendo que o Remo é essa eterna confusão, quanto mais Ney da Matta souber utilizar seus métodos de trabalho com as dificuldades inerentes e visar o equilíbrio entre treinos e gestão, melhor será seu período em Belém. Nas competições, os resultados dirão qual o fator que deve ser abordado com maior ênfase no período, então conhecer e atuar nos dois será fundamental.  50%-50%, quanto mais perto se chegar disso, maior será a passagem de Ney da Matta no Remo. 

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O Futebolista

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