Exclusivo: "Meu problema não é com o Remo, mas sim com os dirigentes", diz Gerson

Lateral revela que tudo o que foi prometido a ele não foi cumprido pelos dirigentes azulinos

Gerson chegou ao Remo como reforço para o lado esquerdo azulino na Série C - Foto: Fábio Will/Remo

Por Carlos Augusto Matos
@CarlosMat0s


O Clube do Remo viveu mais um ano para ser esquecido. Foi surpreendido pelo Brusque-SC já na primeira partida da Copa do Brasil e também nas quartas de final da Copa Verde, sendo eliminado pelo Santos-AP. No Campeonato Paraense foi onde chegou mais longe sendo vice-campeão, perdendo para o seu maior rival, o Paysandu. Mas foi na Série C do Campeonato Brasileiro que veio a maior decepção. O time azulino passou boa parte da fase de grupos no G4, mas com duas derrotas no fim tiraram a chance de disputar uma vaga pelo acesso. 

Pensando nisso, conversamos com o lateral Gerson, que veio para o time azulino para reforçar o lado esquerdo. O jogador afirmou que ficou feliz por essa experiência em vestir a camisa do Clube do Remo. 

"Estou muito feliz por ter recebido a oportunidade de vestir a camisa do Remo. Sou atleta profissional e reconheço minha frustração por não ter entrado na história do clube. Os torcedores estão insatisfeitos com os dirigentes e feridos com á eliminação na Série C. Eu queria muito esse acesso e mais ainda o título da competição. Todo mundo sabe que o futebol perdeu um clube grande na segunda divisão, mas nós sabemos que logo o Remo vai subir, porque tem uma grande história. A torcida azulina vai conseguir levantar o clube e logo o Remo vai voltar a ocupar o lugar que merece no cenário nacional. O Remo me deu a oportunidade de jogar em dos maiores clubes do Norte-Nordeste do Brasil. A camisa do Remo é muito pesada. . O povo paraense, que é apaixonado por seus clubes, merece que o futebol local seja valorizado". 

Após ficar sem a conquista do acesso à Série B, as redes sociais ferveram com críticas aos jogadores azulinos, porém, Gerson reconhece que não teve tanta estabilidade em sua passagem pelo Baenão e revela que quando chegou a cobrança foi muito grande em cima dos reforços pelo vice no Campeonato Paraense e pela eliminação precoce na Copa Verde. 

"Não tive tanta estabilidade na minha passagem pelo Remo. Fui contratado em meio à pressão por causa da derrota para o Paysandu na final do Campeonato Paraense e depois pela eliminação para o Santos-AP pela Copa Verde. A cobrança da torcida foi gigante em cima de quem chegou ao longo da temporada. No final das contas, todos achavam que os jogadores indicados por Josué Teixeira tinham de chegar, entrar no time e salvar a temporada do clube.  A diretoria estava desesperada por resultados e não queria fechar o ano sem um título. Todas as críticas são sempre muito bem vindas. Ninguém é obrigado a gostar do meu trabalho, mas o que não pode faltar é respeito. Agora tenho que dar sequência na carreira, independentemente do lugar, tenho que estar bem". 


Agora resta a 'nova' diretoria acertar com os jogadores que interessam ou não para a próxima temporada. Gerson revela que renovaria com o Remo, porém, não existe diálogo com a diretoria para acertar seus salários atrasados onde foi até ameaçado com ordem de despejo. 

"Não teria problema nenhum em retornar para o Remo. Por mim, renovaria com o clube para 2018, mas no momento é muito difícil voltar até pela maneira como estou saindo. Não há diálogo com a diretoria, tenho salários atrasados para receber e fui ameaçado com ordem de despejo. O clube apresentou uma proposta de acordo para o Luiz Nunes, mas os valores foram horríveis. Meu empresário fez uma contra proposta e não houve acordo. Quero deixar claro que em nenhum momento quis prejudicar o Remo. Se a nova diretoria quiser, basta procurar o Luiz Nunes para fazer um acordo, mas tudo tem de estar assinado".

Ao ser questionado se ficou alguma mágoa com o clube, Gerson afirma que o seu problema é com os dirigentes e não com a instituição do Clube do Remo. 

"Temos que lembrar e respeitar a instituição chamada Clube do Remo. As pessoas passam, mas a instituição fica. Por isso, o respeito tem que ser muito grande. O meu problema não é com o Remo, mas sim com os dirigentes que não cumpriram nada do que foi prometido desde a minha chegada à Belém. Existe, sim, uma situação que está sendo tratado pelo meu empresário. Na teoria, ainda sou jogador do Remo. Meu contrato termina no final de outubro. Até lá, espero que seja resolvida a minha saída do clube". 

Gerson reconhece que o Clube do Remo vem passando por uma crise financeira, mas a força de sua torcida vai levantar o Leão. 

"A torcida do Remo é apaixonante. Cheguei á conclusão que o clube é que tem uma imensa torcida e não ao contrário. Sou um cara família e o paraense abraça a família. Eu deixei Belém com o carinho de muita gente. Ia ao mercado, a igreja, jantar com a minha família e sentia o carinho do torcedor. Não faltou apoio da torcida durante a campanha da Série C, mas sim a gente se impor e mostrar logo no início quem era o Remo. O time adversário tinha de pensar que ia ser difícil nos vencer em Belém e “fechar a casinha”. Infelizmente os times não respeitaram o Remo dentro de casa, perdemos pontos importantes e deixamos a desejar nisso. Eu saí de Belém muito triste com a desclassificação e o momento financeiro do clube, mas tenho certeza que a força desta torcida vai levantar o Remo". 

Apesar da indefinição com a diretoria do Clube do Remo, Gerson revelou que já tem propostas de outros clubes, até do exterior, mas existe a possibilidade de um retorno para o Brasiliense. 

"Falei com meu empresário assim que cheguei aqui no Rio de Janeiro. Ele já tinha umas conversas adiantadas com outros clubes das Séries B, C e D. Queria deixar a porta aberta porque passei a ter um carinho muito grande pelo Remo. Há duas semanas meu empresário me falou de algumas propostas e umas sondagens de fora do Brasil. . Estamos avaliando tudo com muita calma. Atualmente estamos conversando com o Brasiliense. É um clube que aprendi a gostar, que vai voltar a disputar competições nacionais no próximo ano e tem planos audaciosos para subir de divisão. A pré-temporada começa no final de outubro. A comissão técnica já foi formada, está trabalhando no planejamento, observando possíveis reforços e alguns jogadores sendo contratados. O clube é organizado, tem uma estrutura de fazer inveja para qualquer time da Série A e paga em dia os salários e premiações. A diretoria cumpre fielmente tudo que promete aos jogadores. Não tem papo torto. Tive um primeiro semestre muito feliz no Brasiliense, fui titular em todos os jogos da reta final do estadual, dei assistência para gols em todas as partidas, conquistei o Campeonato Candango e de quebra fui eleito o melhor jogador da minha posição na competição. Minha família está animada com a possibilidade de voltar a morar em Brasília. Vou pensar no contrato, claro, mas esse não vai ser o primeiro pensamento". 

Por fim, Gerson agradece ao carinho da torcida que torceu pelo seu sucesso na equipe azulina. 

"Sei que no futebol, como na vida, é difícil agradar a todos, mas fico feliz por saber que existem torcedores que reconhecem o esforço e vontade que sempre tive de ajudar o Remo em todas as vezes que estive em campo com a camisa azulina. A vocês que lembrarão com carinho da minha passagem pelo futebol paraense, meu muito obrigado especial. Ficarei sempre na torcida pelos amigos que deixei em Belém. Espero contar com o carinho de vocês também, onde quer que eu esteja. Obrigado por tudo, de coração".

Gerson é natural de Valença, no Rio de Janeiro, tem 31 anos e é cria das divisões de base do Vasco. Já passou por clubes como Volta Redonda, Fluminense, Atlético-GO, Goiás, Macaé e Brasiliense. Pelo Remo esteve em campo em oito jogos, todos pela Série C. 

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O Futebolista

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