Blog Remo Tático: Posição ofensiva e função defensiva: entendendo o papel de Mikael no Remo

Foto: Anderson Silva/Facebook Clube do Remo
Por Caíque Barnabé
@remotatico


É de conhecimento público que a torcida do Remo cobra muito além da conta em certos momentos. Cobra de acordo com a grandeza do clube. Tudo normal, se levarmos em consideração a maneira como se enxerga futebol pelas terras nortistas. Inúmeros são os atletas que sofrem e sofreram com tamanhas indagações, pedidos e xingamentos. Obviamente, o torcedor está no seu direito e cumprindo seu papel de fiscalizar e zelar pelo bem do seu clube, neste caso, futebolisticamente falando. Entretanto, há maneiras e maneiras de cobrar atletas. E a melhor é, sem dúvidas, quando se entende as funções e o que determinado(s) atleta(s) aporta(m) à equipe.

A bola da vez na boca do torcedor é Mikael. Chegou há um mês, contou com a mudança de planejamento de Josué Teixeira e já entrou na equipe como titular. Há de se recordar que o contexto que envolve o Remo desde o início do ano é de construção. Em quatro meses de trabalho, a execução dos princípios e conceitos ainda está aquém do desejado e esperado. Assim, fica mais difícil para quem vem de fora ser posto em um mar de incertezas e imperfeições e, imediatamente, prestar bons serviços. Futebol não é mágica nem quebra-cabeça, onde se colam peças e o encaixe natural produz uma imagem bela e estática. Existe e deve ser entendido, um modelo a ser seguido. A partir daí é que as avaliações e cobranças oriundas das arquibancadas podem se apoiar.

Josué Teixeira conta com dois jogadores de qualidades técnicas acima do nível da Série C. Já que a tendência é que sejam titulares até o fim, e sabendo da necessidade de manutenção do fôlego durante os 90 minutos, Eduardo Ramos e Edgar ficam dispensados de maiores serviços sem a bola. Apenas ocupam espaços, sem apertar ou diminuir a distância para os rivais. Naturalmente, o equilíbrio fica prejudicado pela natural não recomposição da dupla ofensiva. Marcando em duas linhas de quatro e com encaixes individuais, a carga física precisa ser grande para suprir uma maior área do terreno e ainda cobrir dois jogadores a menos nestes momentos das partidas.

Aí é onde entra Mikael. O atacante tem jogado na função de extremo-direito, podendo auxiliar ofensivamente, mas sua principal função está em dar equilíbrio à equipe. Neste caso, equilíbrio sem a bola. Sem a bola, em organização defensiva, Mikael ocupa-se do corredor direito na intermediária defensiva, contendo os avanços do lateral-esquerdo adversário e protegendo um pouco mais o lateral-direito remista. Além disso, quando a jogada é feita no lado oposto e com a dupla de volantes balanceando para o lado forte, o atacante fecha o meio para não perder em cobertura e auxilia na manutenção da coesão defensiva.

Este é o principal papel de Mikael na equipe. Tapar buracos, impedir avanços, cobrir o balanceamento dos volantes e impedir triangulações laterais. Já com a bola, em organização ofensiva, é alvo logo na saída, recuando para receber o passe dos volantes ou do meia que recua e sendo um dos responsáveis por temporizar a jogada junto com o lateral-direito. O objetivo é permitir a instalação em campo ofensivo, em seguida atrair o adversário para o lado e mandar a bola para a banda esquerda acionando Edgar de mano com o lateral rival. Neste ponto é onde o extremo vem pecando, pois ainda carece de maior entrosamento e de certa qualidade técnica para trabalhar em espaços curtos.

Claro que são válidas as críticas acerca do relacionamento entre Mikael e bola quando estão juntos, mas para Josué Teixeira, ele insere na equipe uma proteção boa para a ausência de Eduardo Ramos e Edgar na marcação, coisa que é fundamental para evitar sofrer atrás e não obter resultados positivos. É correto contestar, mas nunca devemos minimizar as funções táticas que ele tem cumprido. Pode não ser (e não é) o jogador ansiado pela torcida, mas a contribuição que tem dado é importante para o funcionamento coletivo sem a posse. Cobrar por cobrar não ajuda, é vital cobrar tendo entendimento do papel do jogador na equipe. É possível jogar em uma posição avançada e ter funções defensivas. Cobrar por papel acrescenta mais do que cobrar por posição e características técnicas. 
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O Futebolista

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